Uma bicicleta montada em um homem atropela uma senhora, que grita.
- Mas que falta de educação, nem me desejou bom dia!
Do seu lado, do outro lado da rua, um anão vestindo um smoking de papel, sobre uma caixa, faz um discurso:
- O homem mais alto, em cima do prédio mais alto, na montanha mais alta... Jamais atingira a grandeza de um anão sobre um caixa, se tiver seus pensamentos presos em um livro no fundo do mar.
Pega um livro, arranca-lhe uma pagina, faz dela um barco de papel, joga-o para o alto, desce, pega a caixa, caminha mais uns passos, coloca a caixa no chão, sobe nela, repete seu discurso... E assim sucessivamente. Enquanto milhares de barcos de papel flutuam sobre as pessoas que por ali circulam.
Um garoto com livros no lugar das pernas, vem correndo e se choca contra um dos barquinhos, cai duro pra trás, as pessoas ao redor dão vivas e seguem seu rumo, enquanto ele continua ali, imóvel.
As pessoas que por ali passam, precisam andar com cuidado, dar voltas e mais voltas pra desviares dos barquinhos flutuantes.
Alguns se assemelham a um sapo, talvez por conta do tom esverdeado com algumas bolhas ou talvez por parecerem sempre emburradas.
Outros parecem macacos, andam ligeiro, sorriem pra quem quer que passe e depois fazem caretas, quando não podem mais serem vistos.
Uns com cara de cavalo.
Outros com tromba de elefante.
São todos tão engraçados. E é uma graça tão triste de ser vista!
Abro um sorriso bobo enquanto observo cada movimento alheio destruir cada coisa que construi dentro de mim.
...Mas Tudo faz sentido. Faz. Sentido.