segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mais um fim normal...

Não tinha um dos dedos do pé.
Seu nariz era totalmente assimétrico e o piscar dos seus olhos levemente irregular.
Caminhava balançando o corpo de um lado pra outro, com os pés em um ângulo que lembrava muito a um pinguim.
Não era nem alto nem baixo... Mas excessivamente magro.
Diziam que não era muito certo do juízo.
Trabalhava de segunda a sexta, era carpinteiro. Tinha uma habilidade incrível com as mãos. Sua primeira e única namorada confirmaria se não tive morrido, uma semana antes do noivado, ao ser esmagada pelo sino da igreja que caiu na comemoração da páscoa.
Mas ele superou... Ia à missa todo domingo. Chegava muito cedo. Sempre estava na segunda fileira... Quinze minutos antes do padre começar a ladainha, la estava ele ajoelhado a pedir perdão pelos seus pecados.
Nas quartas a noite ia ao bar do João, beber umas cervejas e quem sabe ganhar alguns trocados dos amigos no lançamento de dados... Ah! Era um sortudo no jogo, sempre ganhava, contudo, gastava todo esse dinheiro com bebidas para os perdedores. Maldita dignidade.
Nas sexta, logo após o fim do expediente, tomava banho, fazia a barba, colocava sua melhor roupa, passava perfume e ia cometer, segundo ele, seu pecado semanal. Ia até a única boate da cidade, sentava-se em uma das mesas e ficava observando as mulheres que ali dançavam semi-nuas, nunca fazia nada mais que observar.

Hoje é seu enterro... O coitado morreu atropelado na saida da missa.
O padre diz que não o viu quando arrancou a F1000 a toda velocidade pois iria realizar um batismo... Há muita gente no enterro por conta disso.

Contudo, poucas pessoas realmente se importam com o que aconteceu, afinal foi apenas mais um homem normal que morreu...


domingo, 13 de dezembro de 2009

Chuva

Lá vem a chuva novamente...
Lavando o material e evidenciando o intangível.
Apesar de tudo, da dor, da angustia, das lágrimas... É em momentos como esse que tenho certeza que sou mais do que carne e osso... Existe aquilo que ninguém vê, algo que nos diferencia... Assim como o perfume que possui uma essência que o torna único.


Acredita que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar?

...Eu não duvido de mais nada.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sentença

Fomos condenados a aceita muito e opinar pouco. Quando muito temos direito de escolher por onde ir, que atitude tomar... Contudo, tomamos certas decisões por livre e espontânea pressão.
Estamos sob pressão de uma sociedade que escolheu a melhor opção, de acordo com um senso comum, que não leva em consideração sentimentos individuais, que não liga para a dita felicidade de cada um de seus integrantes.
Somos praticamente obrigados a acompanhar o "fluxo natural" das coisas, sem saber do por que por trás delas.
Até quando você vai ser um fantoche nas mãos do senso comum? Até quando vai seguir tudo o que a sociedade te impõem, sendo que a qualquer momento ela pode decidir que você não tem mais utilidade e simplesmente te descartar?
Faça o que você realmente quer fazer, e não o que lhe é imposto. A partir do momento que você se faz dono de suas vontades, serão somente suas não só as tristezas, mas também sua felicidade. Um felicidade real, e não uma felicidade de plástico que querem te vender.