Não tinha um dos dedos do pé.
Seu nariz era totalmente assimétrico e o piscar dos seus olhos levemente irregular.
Caminhava balançando o corpo de um lado pra outro, com os pés em um ângulo que lembrava muito a um pinguim.
Não era nem alto nem baixo... Mas excessivamente magro.
Diziam que não era muito certo do juízo.
Trabalhava de segunda a sexta, era carpinteiro. Tinha uma habilidade incrível com as mãos. Sua primeira e única namorada confirmaria se não tive morrido, uma semana antes do noivado, ao ser esmagada pelo sino da igreja que caiu na comemoração da páscoa.
Mas ele superou... Ia à missa todo domingo. Chegava muito cedo. Sempre estava na segunda fileira... Quinze minutos antes do padre começar a ladainha, la estava ele ajoelhado a pedir perdão pelos seus pecados.
Nas quartas a noite ia ao bar do João, beber umas cervejas e quem sabe ganhar alguns trocados dos amigos no lançamento de dados... Ah! Era um sortudo no jogo, sempre ganhava, contudo, gastava todo esse dinheiro com bebidas para os perdedores. Maldita dignidade.
Nas sexta, logo após o fim do expediente, tomava banho, fazia a barba, colocava sua melhor roupa, passava perfume e ia cometer, segundo ele, seu pecado semanal. Ia até a única boate da cidade, sentava-se em uma das mesas e ficava observando as mulheres que ali dançavam semi-nuas, nunca fazia nada mais que observar.
Hoje é seu enterro... O coitado morreu atropelado na saida da missa.
O padre diz que não o viu quando arrancou a F1000 a toda velocidade pois iria realizar um batismo... Há muita gente no enterro por conta disso.
Contudo, poucas pessoas realmente se importam com o que aconteceu, afinal foi apenas mais um homem normal que morreu...
3 comentários:
Conheci muito bem ele! Era gente boa!
Conheci muito bem ele! Era gente boa!
e, de tao certo que eu tô, o Google até postou duas vezes meu comentário.
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