quarta-feira, 8 de julho de 2009

Procura-se

O cidadão era mais ou menos assim:

Aparentemente pequeno. Só aparentemente.
Meio confuso. Coitadinho, nunca soube no que realmente acreditar.
Aparentemente Ingénuo. Não, na verdade ele era realmente muito ingénuo.
Indiscreto. Apesar de tentar esconder, todo mundo sabia qual era a dele.
Inconstante. Num momento dava pulos descompassados de alegria, no outro seguia um ritmo mais lento do que o normal por conta de uma certa tristeza que o afligia.

Ah! Esse cidadão... Não o vejo a tanto tempo!

Devo confessar que na época, um pouco antes do desaparecimento, já que eu não poderia estar naquele lugar, insistia que o pobre saísse, apesar dos seus apelos..."Eu não quero ir, eu tenho medo" . E eu, crente que seu destino era certo e seguro..."Ah meu amigo, não há problema algum, você vai e logo volta, ficará muito bem, você vai ver!". Então ele me olhava com um jeitinho desconfiado mas feliz, no fundo ele queria ir, eu sei disso.
Acontece que depois de um certo tempo eu percebi que ele estava indo longe demais, não estava mais respeitando seus limites.

Até que num belo dia, não, num terrível dia, eu apenas o olhei e sussurrei... "Por favor", e ele, triste de um jeito que eu nunca tinha o visto antes, respondeu: "Não há como parar, desculpe, a culpa é toda minha", e se foi, nunca mais o vi...

Eu sei onde ele pode estar, apesar de não ter certeza. Só queria um sinal de vida, alguém dizendo: "Estou o enviando de volta, não se preocupe", ou: "Ele esta aqui, muito bem cuidado, fique tranquila", mas o que eu queria mesmo ouvir é: "Estamos bem, e agora acho que você pode vir também, o que acha?". Eu não pensaria duas vezes...


[continua]

Nenhum comentário: