quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sonhos


Eu realmente estava me sentindo segura ali. Depois de caminhar por horas pela praia deserta entrei naquela cabana, o único abrigo que havia encontrado enquanto fugia da tempestade incessante. Era pequena, velha e sua estrutura era precária, qualquer um veria que estava longe de ser um lar. Mas eu, na ânsia de me refugiar da água e do vento, vi ali a proteção que precisava.
Havia algum tempo, a chuva diminuirá de intensidade. Ouvia trovões distantes, o vento açoitava as frágeis paredes, mas eu estava convencida que elas suportariam. Já era tarde da noite quando eu finalmente adormeci, com os som suave de inconstantes pingos no telhado. Não sei por quanto tempo eu dormi, até que aconteceu.
Acordei ao ouvir fortes estalos que pareciam vir do telhado. A intensidade da tempestade havia aumentado, e agora estava muito mais forte do que antes. Levantei assustada, a escuridão era total, a medida que andava pisava nos cacos de objetos que se partiram a tempos. Com a preocupação em me abrigar, esqueci de jogar fora o que se partiu e colocar o que sobrou no devido lugar.
Até aquele momento eu achava que tinha o controle da situação, eu estava enganada.
Estrondos, barulhos ensurdecedores, a cabana se curvava diante da natureza e sua fúria. Sentei-me em um canto, agarrei meus joelhos e chorei, como nunca havia chorado antes, percebi que minhas lágrimas se misturavam com a água da chuva que agora me atingia. Quando levantei a cabeça para olhar a minha volta fui atingida por pedaços da cabana que eram arremessados pela força do vento...

O lugar era muito claro, mal enxergava a minha volta. Ouvia o som de uma risada. Quando meus olhos se acostumaram a claridade pude ver, alguém emanava aquela luz, pude ver seu sorriso, seu olhar... Então o riso cessou, o semblante a minha frente tornou-se sério, havia lágrimas em seus olhos que a cada momento ficava mais distante. Até que chegou um momento em que eu não podia mais reconhecer aquele ser, que se tornou apenas luz aos meus olhos. Mesmo longe ainda iluminava tudo a minha volta, mas agora eu podia enxergar melhor. Senti frio nesse momento, como se fosse a fonte da luz que me mantivesse aquecida. Mas eu não queria, eu não queria me aproximar novamente...

Acordei com a luz do sol na minha face. A tempestade cessará, a cabana não mais existia, seus escombros e meus pertences quebrados foram cobertos pela areia. Ao longe as nuvens negras se afastavam.
Haviam feridas por todo meu corpo, mas minha alma estava anestesiada. Sentei-me e fiquei a observar o sol, a sua luz me aquecia, eu sabia que ele não duraria pra sempre e sabia também que eu era perfeitamente capaz de resistir as próximas tormentas. Eu perdi muita coisa, mas eu não perdi, é era só isso que importava....

Acordei com o barulho do despertador, olhei pela janela do meu quarto, o sol já estava alto e forte. Lembrei-me do sonho,e ao olhar aquele retrato na parede reconheci o sorriso do sonho no sonho. Tudo fazia sentido agora.

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