quinta-feira, 12 de março de 2009

Escuridão


Esquecida. Era como se sentia. A escuridão daquele quarto era como um manto que a escondia do resto do mundo. O único elo que tinha com o exterior era um buraco na parede, por onde observava, despercebida, as pessoas que ali circulavam. Ficava fascinada com a liberdade que elas demonstravam ter, com a maneira como o sol as iluminava ou mesmo com a forma com que sorriam umas para as outras ao se encontrarem. Tudo isso fazia crescer dentro do seu peito uma vontade imensa de se juntar a todos ali, mas ao mesmo tempo crescia também o medo de suas diferenças não serem aceitas do lado de fora. E se ninguém sorrisse ao encontra-la? Com esse medo ela se encolhia cada vez mais na escuridão da sua solidão.
Até que aconteceu. Um dia ela acordou e se deu conta do que estava acontecendo: Estava perdendo a oportunidade de viver como ela queria por medo. Sentiu-se envergonhada ao perceber que se privou da sua própria felicidade por conta dos outros.
E sem dar espaços a recaídas ela ergueu-se e se dirigiu até a porta, vencida a dificuldade de abri-la, se colocou do lado de fora. Demorou alguns instantes até que seus olhos se acostumassem com a claridade. Quando finalmente conseguiu distinguir o que via, percebeu os olhares desconfiados que caíram sobre ela. Pensou em entrar novamente dentro do quarto, mas sabia que se o fizesse jamais teria coragem de sair novamente. E assim sem ter mais o que fazer, ela apenas sorriu, um sorriso amarelo, forçado, que só se tornou verdadeiro quando, para sua surpresa, as pessoas lhe retribuiriam o sorriso.
Depois de um tempo ela descobriu que, na verdade, todos ali tinham suas diferenças, suas particularidades. Sendo assim, logo de adaptou, afinal eram suas diferenças que faziam dela igual a todos ali.

2 comentários:

Anônimo disse...

Saindo do armá.. ops... Escuro... sóóóóóó

Joelma Falcoski disse...

¬¬