Você lembra muito bem.
No entusiasmo de um novo inicio você olhava em todas as direções. Procurando algo. Procurando alguém. Você não era inocente. Nada inocente. Você sabia o motivo pelo qual examinava todos os rostos... Mas qual eram as chances de você encontrar o que buscava?
Então você viu, de longe em um primeiro momento. Algo fez você se aproximar. Mesmo sem trocar uma palavra, mesmo sem nem ao menos saber seu nome... Você sabia, tinha algo ali. Você tinha que descobrir o que era. Céus, seu sexto sentido quase nunca falhava, e ele disse pra prestar atenção naqueles olhos.
Aqueles olhos.
Você enxergou algo naqueles olhos pouco depois, quando finalmente se falaram, poderia ser a mesma curiosidade que você sentia, poderia ser só encanto pela nova situação. Fosse o que fosse, aqueles olhos te atraíram logo no primeiro momento. Não só olhos, claro, sua mente pervertida não deixaria você reparar só neles, mas eles eram só o que você podia ver ao serem colocados pelo destino exatamente na sua frente naquela mesa.
Enquanto vozes de experiência e vozes de entusiasmo de recém chegados se misturavam ao seu lado, você reparou que aqueles olhos olharam muitas vezes na sua direção, mas você não podia lê-los. Você queria descobrir o que aquilo significava, mas você tinha receio, claro, o álcool poderia estar fazendo efeito, e você fantasiando tudo. Mas na volta pra casa, você ouviu seu amigo dizer que tinha reparado em uma pequena troca de olhares, ele completou a frase com um "vai dar merda". Tipico. No ponto.
O tempo passava. Proximidade. Brincadeiras. Contato. Mas você ainda não conseguia ler aquele olhar. No fundo você sabia o que ele significava. Mas o receio tomava conta de você. Você não queria se iludir.
Até que você descobriu.
Suas suposições não estavam erradas.
Aquele olhar significava exatamente o que você queria que significasse. E isso era mais assustador do que você julgava que seria.
Claro que era assustador! O poder que ele tinha de te transformar...
Afinal onde estava toda aquela segurança adquirida ao longo do tempo: Agora você se sentia corar apenas ao ouvir um oi? Aquilo não era você, céus, era só um olhar, o suficiente pra te desconcertar?
Seus amigos perceberam. O inferno! Até quem não era muito próximo percebeu. Mas você se negou a aceitar, claro! Você nem poderia aceitar, já que não era possível. Você sempre soube que era impossível, afinal.
Você pegou a distância que precisava. A distância para ficar em segurança. Mas distância suficiente também para ter pequenos vislumbres daquele olhar, como um lembrete para não esquecer.
O tempo passa mais rápido. Você tem mais coisas para se preocupar. Você vê várias coisas saindo do controle na sua vida...
Você não tem mais tempo para aquele olhar...
Até por que você tem outros olhares com que se preocupar também.
Mas você não esquece aquele, mesmo que você não o veja.
Você sabe que agora mantém a distância que era necessária para manter os dois lados seguros. Mas você também sabe que não era toda essa distância que você queria.
Não era isso que você queria.
Somente Ida
Há 11 meses
Um comentário:
Gosto muito do jeito apaixonado que você escreve! :)
Um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo Jô!
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